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O Cantinho da História

manifestaçõs cívico-religiosas gregas 6 de Junho de 2009

Filed under: Uncategorized — filipa92 @ 19:55

 

     Na vida dos Gregos a religião foi um factor fundamental para a sua identidade cultural. O culto, tal como actualmente, podia ter um carácter privado ou público. A participação de toda a pólis nas manifestações religiosas levava à vinda de peregrinos de todo o mundo grego, daí o carácter pan-helénico que estas manifestações assumiam.

 

O CULTO CÍVICO

     Em toda a Grécia eram adoradas as mesmas divindades mas, cada cidade tinha os seus cultos próprios venerando os deuses que eram considerados os protectores da sua cidade.

       Era aos cidadãos que era dada a função da organização do culto: realizar oferendas, velar pela manutenção dos templos e custear as festas religiosas. Este dever cívico tinha tanta importância como participar na política ou servir no exército.

     Em Atenas as festas em honra da deusa Atena Polias, a deusa da cidade, e de Dioniso, o deus do vinho, eram celebrações muito dispendiosas. Nesta pólis eram os arcontes e outros magistrados que tinham as funções religiosas e como já foi referido anteriormente os cidadãos mais ricos ajudavam a suportar as despesas.

 

  • AS PANATENEIAS

     No mês de Julho realizavam-se as Panateneias, festividades em honra de Atena. As festividades tinham um cunho marcadamente cívico porque “ao glorificarem a deusa, valorizavam também a cidade que ela protegia, alimentando o sentimento de orgulho e de união do povo ateniense” (1).

     As grandes Panateneias eram realizadas de quatro em quatro anos com um luxo extraordinário. Para estas festividades chegavam participantes de toda a Grécia.

     Durante duas semanas havia concursos lírico-musicais, danças e provas desportivas. Terminavam com uma grande procissão em que tomavam parte todos os corpos cívicos, os sacerdotes e até os metecos, em cortejo ladeado  por efebos a cavalo. Em Atenas saiam do Bairro Cerâmico, passavam pelo centro da cidade para levar à deusa sacrifícios e oferendas. À deusa Atena era oferecida a oferenda mais significativa um novo peplo que tinha sido bordado pelas donzelas das melhores famílias para vestir a deusa. O peplo era uma “peça de vestuário feminino misto de túnica e manto. O peplo que se ofertava à deusa Atena era tingido de açafrão e bordado com o tema do combate entre os deuses e os gigantes” (2).  Este tema, da procissão está esculpido no friso do Parténon, de Fídias. 

        

  • AS GRANDES DIONISÍACAS

     Celebrações dramáticas ocorriam em Março, quando a vinha despontava, em honra de Dioniso, o deus do vinho e da fertilidade. Depois de uma procissão, no primeiro dia, seguiam-se as representações preparadas pelos mais altos magistrados. Estas festividades duravam seis dias e os seus rituais deram origem ao teatro.

     De manhã à noite, sucediam-se as representações: no segundo dia, um cortejo solene levava a estátua de Dioniso para o recinto das representações, a seguir os ditirambos, declamações líricas apresentadas por um coro, no terceiro, as comédias e nos restantes as tragédias. Nos últimos três dias das festividades, no século VI a. C. coros e danças eram já verdadeiras representações dramáticas.

     Todos os atenienses podiam assistir às representações, feitas por homens dado que os papéis femininos eram também eles, representados por si. Os Actores usavam máscaras com expressões faciais exageradas. Calçavam igualmente umas botas de couro, com uns grandes saltos, apertadas nos joelhos por cordões.

     Os teatros eram localizados nos flancos das colinas e podiam levar até 14 mil espectadores.  Na primeira fila sentavam-se os sacerdotes e magistrados. Paralelamente ao culto sagrado havia competitividade. Os autores (poetas) que desejavam competir tinham que submeter primeiro as suas obras à autoridade, Archon, que escolhia uma das três peças (triologia), apresentadas a concurso. Era assim, escolhida uma triologia por cada autor para ser representada. A cada poeta era atribuído um actor principal e um patrono, o Coregos, um homem abastado que tinha como dever cívico pagar a produção. Os actores eram pagos pelo Estado. Um júri nomeava um vencedor que recebia algum dinheiro e uma coroa de hera. O seu nome era também distinguido no livro de honra da cidade com a respectiva inscrição.

     Já na Grécia Antiga havia benefícios fiscais: o Corego que financiasse uma das produções não pagava impostos nesse ano.  Ainda hoje são representadas as peças trágicas nas grandes companhias de teatro, de autores da tragédia antiga: Ésquilo (525-456 a. C.), Sófocles(c.496-406 a. C.) e Eurípides(c.480-406 a. C.). Estes autores eram naturais de Atenas e considerados os mais importantes da tragédia antiga.

     Por estarem enquadradas em festividades religiosas as peças representadas tinham um pendor de moral realçando “a sujeição do Homem aos deuses e aos seus desígnios. Mas, se se mostra incapaz de contrariar o destino que os deuses lhe traçaram, o herói das peças trágicas luta e sofre dignamente, revelando toda a grandeza da alma humana” (3).                                                                                                                                                           

     A comédia integrou mais tarde estas festividades, ocupam-se da sátira social (hábitos, modas vícios, etc.). Incitavam ao riso e à boa disposição mas sempre com um fim moralizante. Destaca-se como um dos maiores autores cómicos: Aristófanes (450-386 a. C.).

     O teatro é dos edifícios que teve maior evolução. Inicialmente era formado por grades de madeira que se instalavam na encosta de uma colina para acolher rituais religiosos. A mudança de significado das representações artísticas fez com que passassem a ter bancadas de pedra escavadas nas encostas levando ao melhoramento das condições acústicas e de visibilidade, entre outras.

     O teatro é considerado “uma das mais originais criações do génio grego”, rapidamente se espalhou a todo o mundo helénico e continua na actualidade a ser um símbolo de grande manifestação cívica e religiosa.

 

(1) COUTO, Célia Pinto do e outros, O Tempo da História,  História A-10º ano, Porto, Porto Editora, 2008,  1ª  edição.

(2)COUTO, Célia Pinto do e outros, Ob. Cit.

(3)COUTO, Célia Pinto do e outros, Ob. Cit.

 

 

Trabalho realizado por:

 

Ana Catarina Amaral nº 2

Filipa Henriques nº 13

Flávio Marques nº 15

Jessica Inácio nº 19